ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

"Os cegos enamorados já não estavam de mãos dadas,dormiam deitados de lado,encolhidos para conservarem o calor,ela na concha formada pelo corpo dele,afinal,reparando melhor,tinham-se dado as mãos,o braço dele por cima do corpo dela,os dedos entrelaçados.Lá dentro,na camarata,a cega que não conseguia dormir continuava sentada na cama,à espera de que a fadiga do corpo fosse tal que acabasse por render a resistência obstinada da mente.Todos os outros pareciam dormir,alguns com a cabeça tapada,como se ainda estivessem à procura de uma escuridão impossível.Sobre a mesa-de-cabeceira da rapariga dos óculos escuros,via-se o frasquinho de colírio.Os olhos já estavam curados,mas ela não o sabia…"

(pg.158 de Ensaio Sobre a Cegueira,de José Saramago)

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