CONTO COM ISSO

“Eles perceberam em pouco tempo,entre olhares e sorrisos,que tinham o mesmo gosto para guloseimas.Achavam graça quando se flagravam comendo o lanche Mirabel da embalagem verde,as balas do bonequinho cor de rosa e os pirulitos Zorro de doce de leite.O menino gostava de escrever e de jogar futebol,embora a qualidade de suas redações fosse consideravelmente melhor do que sua perfomance como beque de roça nas peladas de rua.A menina desenhava muito bem e adorava mexer com as cores,talvez por força da carga hereditária dos artistas da família.A timidez impedia uma maior aproximação entre eles,mas,de uma forma ou de outra,estavam sempre próximos.”(extraído do conto Noite de Lua Azul).

O trecho citado acima faz parte de 1 dos 41 contos do livro impresso que acabo de ler:“Os estabanados também têm coração”de Antonio Carlos Varela. Nele uma reunião das mais inusitadas e comuns cenas da vida real.Em alguns quem lê pode se recordar de algo que viveu ou ouviu falar…Vai dizer que nunca ouviu falar de assalto no hotel?Ou de um elevador com defeito? Se vai lê-lo,prepara-se para os finais dos contos,são assustadores! Dos 41,poucos tem um final tranquilo e como eu poderia dizer? Normal.

De todos gostei muito do “Noite de Lua Azul”,porque teve ritmo romântico na medida certa.Na trama,menino e menina,estão sempre juntos por todo ginásio.Depois da formatura cada um toma seu rumo,e perdem-se. Sabemos como é,né?

A gente vira adulto e perde preciosidades pelo caminho…como um raro encontro por exemplo.Mas se estiver escrito,a vida vai se encarregar de arrumar tudo! Foi assim no conto,passados 23 anos(isso é muito tempo,né não?),o menino agora homem feito passa na porta de uma galeria e vê o nome dela numa faixa.Será que é ela?

É…aquela menina do ginásio virou mesmo uma artista plástica.Que saudade! Ele entra pra vê-la,ela não está…mas ele consegue seu email.Envia.E é respondido…ela se lembra dele,e também quer vê-lo! O que vai acontecer daí por diante,eu não conto…leia o conto pra saber!

Só sei de uma coisa,se um amor está escrito nas estrelas pra você,não importa quanto tempo vai demorar seu ciclo de volta…ele vai ser seu.E de forma limpa,completa e perfeita.Conto com isso.Maktub. Quanto a isto não tenho pressa.E você?

Ainda falando de cenas inusitadas da vida real,deixo aqui algo que li e gostei:

“Durante um bom tempo, circulei o quarteirão lá de casa, galopando num cabo de vassoura e atirando a esmo. Meu revólver fazia muito barulho, mas não feria ninguém. Não me tornei um serial killer de passarinhos indefesos, mas me diverti bastante praticando tiro ao alvo no quintal. É por isso que não entendo a sanha com que se volta a debater o desarmamento. Não que o debate não seja produtivo. Debates sempre o são. Mas estranho que o assunto volte à baila logo após a tragédia que se abateu sobre as crianças da escola de Realengo. Bullying e segurança nas escolas são assuntos que me veem à mente quando penso naquele episódio, mas desarmamento… Que parte da história eu não entendi que faz com que se possa acreditar que, se o comércio legal de armas já estivesse abolido do país, aquela matança não teria acontecido?”(Artur Xexéo)

Também não entendo…

Sandra Sclata

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