Chefe de quadrilha de agiotas presos tinha R$ 1 milhão em casa

RIO – Após oito meses de investigações, a Polícia Civil prendeu na quarta-feira 12 integrantes de uma quadrilha de agiotas que atuava em diferentes municípios do Estado do Rio. Clenílson Gomes da Silva, apontado como chefe da quadrilha pelo delegado da 19ª DP (Tijuca), Nilton Fabiano, guardava em seu apartamento, na Barra, quase R$ 1 milhão em espécie. Em seu escritório foi apreendida farta documentação.

Uma equipe de 118 policiais, incluindo equipes da Corregedoria Geral Unificada, foi responsável por cumprir 18 mandados de prisão e 32 de busca e apreensão. As prisões foram feitas na Baixada Fluminense, em São Gonçalo, Niterói e no Rio. A polícia calcula que o bando, que chegava a movimentar até R$ 1 milhão por mês, agia há pelo menos cinco anos. A quadrilha teria 50 escritórios em todo o estado. No Rio, além da Barra, a quadrilha atuava na Tijuca e em Campo Grande.

As investigações que culminaram com a Operação Shylock – uma referência ao personagem de mesmo nome, um agiota, da peça “O mercador de Veneza”, de Shakespeare – começaram quando policiais da 19ª DP perceberam a grande quantidade de escritórios de agiotagem que funcionavam livremente na área de atuação da delegacia. Entre os presos estão dois PMs: Alexandre Ferreira da Silva, segurança do chefe da quadrilha, e Edson Dias, agiota.

– Começamos com a interceptação de telefones. A movimentação financeira (do grupo) superou a nossa expectativa – disse o delegado Fabiano.

Quadrilha começava a agir distribuindo panfletos:

De acordo com o delegado, a ação do bando começava nas ruas, com a distribuição de panfletos de oferta de empréstimo. Ao ter a ficha aprovada num dos escritórios da quadrilha, o devedor assumia o pagamento de juros mensais de 48% do valor do empréstimo. Segundo o delegado, as vítimas não conseguiam quitar a dívida por causa dos juros altos e passavam a ser achacadas pelo telefone.

– Num segundo momento, o grupo de cobrança ia à casa do devedor e levava o que havia de valor. As pessoas que serviam de referência do devedor também eram achacadas – contou o delegado. – As investigações revelam que uma das vítimas, por exemplo, pegou empréstimo de R$ 300 e pagou R$ 96 mensalmente por dois anos, sem conseguir quitar a dívida.

Durante a operação, foram apreendidos também R$ 13,5 mil, quatro veículos, sendo um BMW e dois blindados, dois cofres, extratos bancários, papéis de contabilidade e joias. 

(Reportagem de: Ludmilla de Lima <ludmilla.lima@oglobo.com.br> / Taís Mendes <tais@oglobo.com.br>)

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