SACUDIDORA DE PALAVRAS

Acabo de ler o livro impresso “A menina que roubava livros” de Markus Zusak.

Nele,a menina Liesel Meminger,tem como primeiro contato com a leitura:o Manual do Coveiro.Nada mais natural então que sua história,nos seja narrada por ela:a Morte personificada e em sua expressão mais crua.

A Morte em sua narrativa por todo o livro conta a vida/trajetória de Liesel e seus percalços.Ela é uma menina que nunca tinha visto/tocado/lido um livro impresso,e quando se depara com o Manual do Coveiro,não faz sequer ideia do que está escrito ali…mas uma coisa Liesel sente/pressente:aquelas palavras todas reunidas naquela capa velha(quantos coveiros consultaram o mesmo manual?)a atrai profundamente!Não pelo tema em si(que ela nem sabe qual é)mas pelo mistério de saber que conteúdo”reside” ali.Liesel fica triste por ainda não saber ler.

Juntamente com a familia que a adotou,não quer seguir Hitler,mas não tem escolha…se quiser sobreviver em pleno ano de 1939.Quanta pressão,meu Deus!Sensivelmente, seu pai adotivo percebe que Liesel apesar da idade,ainda não sabe ler,e mesmo assim carrega o Manual do Coveiro,onde quer que vá.Ele acha justo então que ela aprenda/saiba finalmente o que está escrito ali.

Liesel vai aprender a ler com ele/nele.

Que alegria Liesel sente ao ver diante dos seus olhos,as palavras se movendo,se sacudindo e formando frases com sentido(ou não).Sentido agora melhor tem sua vida,e a visão do mundo que habita.Liesel agora sabe ler,até tropica na leitura em voz alta,mas o quê de fato isso importa?O Mundo se descortina à sua frente.E a vontade de ler aumenta a cada palavra nova lida…

Mas existem muitos outros livros impressos,além do Manual do Coveiro.Liesel se angustia por não ter acesso à outros livros impressos,pois tem sede de conhecimento,algo totalmente negado a qualquer pessoa judia na época em que vive.

Em determinadas datas/ocasiões da narrativa do livro,Hitler ordena que várias localidades simultaneamente queimem os livros(?)impressos numa fogueira localizada geralmente numa praça pública,para que todos assistam a grande queima.Que desperdicio.Queima de ideias.

Liesel em uma dessas ocasiões comete uma loucura,se aproxima da grande fogueira,e rouba um livro que ainda não havia sido alcançado pelo fogo.Liesel quer tanto ler um outro livro…este por sua vez,salvo de virar cinzas,queimará as mãos de Liesel,e mesmo assim ela o esconderá no peito cheia de orgulho por sua ação corajosa.Ela é uma leitora voraz.

A Morte lhe observa de perto,e admite que sempre passa por Liesel,e acaba levando quem ela ama e a deixa pra depois…Liesel ainda tem uma missão pra cumprir.

“Para Liesel,houve os 400 metros.Ela terminou em sétimo,depois em quarto,na eliminatória dos 200…”(pg.317 do livro” A Menina que roubava livros”,de Markus Zusak)

Quando a Morte conta uma história,você deve parar para ler.

Liesel Meminger,a menina que roubava livros,de tanto ler vai virar uma sacudidora de palavras.Ela vai passar a escrever pra expressar tudo que já passou pela vida afora…sacudindo todas as palavras que já leu e viveu,ela vai escrever sua própria história.E vai ser sempre lembrada…

Sandra Sclata

dica de hoje

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