LATIFÚNDIO

Fui ao CCBB assistir a peça “Gata em telhado de zinco quente” de Tennessee Williams, com o grupo TAPA. O texto é um clássico, que já teve várias adaptações. Esta história foi escrita nos anos 50 e apesar disso seu roteiro é atemporal. Na peça, uma família com dois filhos e suas respectivas esposas se reúne para comemorar o aniversário do patriarca o “Paizão”. Em dia de comemoração não se deve aborrecer o anfitrião que está a beira da morte, certo? Errado. No texto de Tennessee, seus personagens não fazem outra coisa que não seja discutir. Eles se digladiam com palavras. O casal formado por Maggie(Barbara Paz), a gata, e seu marido Brick(Augusto Zacchi) não consegue superar o passado e trocam acusações… E no fim das contas, o que Brick disse ao seu amigo no telefone antes deste morrer? Brick a meu ver,não bebe por nojo da gata, bebe por culpa, bebe porque não consegue encarar a realidade, sóbrio.
O irmão de Brick, Gooper(Andre Garolli) não consegue esconder a inveja que sente do irmão. Ele deu netos ao Paizão (Zé Carlos Machado) mas não esconde a vontade de ter tudo pra si. Qual é a parte que cabe deste latifúndio a cada personagem? A vida é um grande latifúndio, onde cada um tem que descobrir sozinho qual é o seu quinhão, o seu lugar. Talvez por isso a peça termine sem respostas a tantas questões que levantou.
Patricia Fields

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